Sentimentos são ferramentas úteis para um escritor. Eles carregam consigo o Caos necessário para a construção ou destruição de mitos e mundos. Seus alicerces possuem certo teor ficcional, por mais que insistam na não existência da ficção e ver a desenvoltura das emoções que se digladiam, é voltar a sentir o quão frágil pode ser a natureza humana ao tentar transmitir o que existe dentro de si por meios físicos que alcancem seus semelhantes.

Os sentimentos, desde os primórdios, são o cerne de toda a dramaticidade que envolve o ato da escrita. Eles necessitam que as mãos construtoras se transformem em acusadoras e acusadas ao que arrancam do âmago de seu escritor tudo aquilo que é necessário para sensibilizar o leitor.

O leitor, por sua vez, se encontra ávido por mundos que se mesclam e se separam em batalhas caóticas de verdades intrínsecas e atemporais. Ele deseja que as linhas devoradas causem os mesmos sentimentos que o escritor sentiu enquanto criava um novo mundo; uma nova visão; uma nova verdade que o fará seguir e esquecer tudo aquilo que o aflige.

Em contraponto, o mesmo leitor se verá imerso no caos primordial do qual já tenha feito parte, por se tornar uno com os mitos e mundos que tanto ama e adotou. Já o escritor, tal qual um sonhador, necessita mergulhar cada vez mais fundo para a desconstruir o que já criara e reconstruir o que “nunca” criara.

Sua alma se vê aflita ao tecer novas linhas nos alicerces que ditam sua vida e a busca alquímica por novos tons de tinta mostra ao escritor que sua verdade não mais lhe pertencerá, mas sim ao leitor que tanto deseja instigar.

Sendo assim, o olhar volta aos sentimentos trajados em campos de batalhas que erguem suas flâmulas e rugem à medida que a escrita vai se desenvolvendo. Os rabiscos crescem e são feridos; retomam de um novo ponto de partida os seus ciclos intensos e por vezes tomados de apatia. Mostram-se fortes e ao mesmo tempo frágeis, enquanto alimentam o leitor insaciável.

Dessa forma, percebe-se que a fragilidade humana, junto aos sentimentos que a dominam, recolhem seus cacos e costuram suas feridas ao fim de cada guerra que é a escrita. A falta dos sentimentos, por mais que sejam desejados, se transforma em fogo fátuo ou o famoso toque de Midas. E com suas almas estraçalhadas, os escritores tremem diante da inexistência de uma nova palavra.